Na crista da onda das hamburguerias em São Paulo e na mudança gradativa do point mais cobiçado da cidade da Vila Madalena para a Vila Buarque (nem Consoloção, nem Higienópolis), o Holy Burger é um espacinho charmoso, bem no estilo east-village novaiorquino.
Bem montado, mas com muita coisa parecendo inacabada, o que dá ainda mais um astral de Nova York, o lugar é cheio de gente bonita, os descolados do tipo “sô bonito e nem tô”.
Esse parece ser o público mais interessante para quem abre uma casa como essa num reduto de botecos meio feiosos de parede de azulejo numa área que eu chamaria de “baixo -mackenzie” (já que é a rua de cima a que fica bem em frente à faculdade), porque tende a atrair mais gente com grana no médio prazo. O que pode ser o catalizador para uma mudança de perfil do território.
![]() |
Foto: glamurama |
A casa tem lá suas fraquezas, mas não deixa muita dívida diante do que se pretende. Se a ideia é servir hambúrguer, ok, lá tem.
O cardápio na pretensão de ser também descolado é meio difícil de ler, mas como não traz muitas opções, passa. Os sabores dos sanduíches não variam muito, a coisa é enxuta, mas para quem está começando isso é uma grande vantagem, especialmente, se cair no gosto dos frequentadores.
Eu, por exemplo, detesto ter que escolher entre 20 opções de lanches, cinco ou seis são mais que suficientes para me deixar com água na boca. Também não sou nada adepta de ter que montar meu sanduíche. Isso eu já faço em casa. Quero opções de combinações perfeitas e, de preferência, inovadoras. Sendo assim, bastam um carro chefe – que é o Holy burger – e mais umas duas opções entre os que é tradicional, um vegetario e um bem diferente.
Em hamburgueria se espera que a carne seja boa e que se respeite o ponto exato do hambúrguer na chapa. Nisso, a casa não faz feio.
![]() |
Holy Burger – foto facebook/holyburger |
Tem que ter também cerveja, refrigerante e batata frita. Tem também.
O pão poderia ser melhor. Estava meio esfarelento, parecendo um pouco velho. Quem sabe trocar o fornecedor seja uma boa para o pessoal do Holy.
Ponto positivo é o atendimento que, apesar de informal, é muito solícito e simpático.
O ambiente, embora pequeno, é divertido e aconchegante. A luz não incomoda, tem música de tipo e volume razoáveis, nada ofensiva para quem vai comer e não dançar ou caçar companhia. Não é esse o propósito.
Os preços são de hamburgueria e não de lanchonete, o que acompanha a onda também. É mais caro porque é “gourmet”, mesmo sem usar essa gasta expressão. O Holy Burger custa R$ 25 e a cerveja Heineken, long neck, R$ 7. As opções de cervejas não são muitas, mas não ficam só na Skol e Brahma, como nos botecos vizinhos. No Holy há aquela preocupação em oferecer uma artesanal, uma IPA.
Não provamos as sobremesas, mesmo sabendo que tinha “um bolo de chocolate delicioso”, segundo a nossa garçonete. Muito fofa para atender, bonita e com cara de menina inteligente. Padrão nova iorque!
Não espere o melhor hambúrguer que você já comeu ou comerá em toda a sua vida nesse lugar. Mas, para uma noite com fome, no meio de semana, pode ser uma boa dica de onde comer, ser bem atendido e ver gente. Quando chegamos tinha espera, quando saímos, também!
Serviço:
Holy Burger – Rua Dr. Cesário Mota Jr., 527, Consolação – São Paulo